Nascemos no cabeço do Preijal, onde se situa o Castro que possivelmente deu o nome a Castelo Branco. Um morro, apenas acessível pelo lado da Srª. da Vila Velha, o que possibilitava uma defesa eficaz perante as ameaças de outros hominídeos ou dos ursos e lobos que nessa época povoavam mais que os nossos antepassados as encostas das Cardanhas, da Pipa , da Soalheira ou de Cú de Lobos. Possivelmente seremos descendentes dos Celtas e com Viriato deveríamos ter travado muitos recontros com as tropas romanas, até sermos dominados e transferidos para a nova aldeia. Terra de muitas figuras com relevo ao nível distrital, que todos conhecemos, sacerdotes, advogados , professores etc. Não é contudo destes que desejo falar, mas da maioria dos antepassados anónimos que construíram pequenas represas (fechos) pelos ribeiros, para irrigar o pouco terreno arável que deveria existir. Contemos os fechos ( alguns que desconheço e que outros conterrâneos poderão indicar): Poço da Veiga, Retorta, Moinho, Poço da Bomba, Freixeda; no ribeiro de Vale do Veado - Babuedo, Messio, Vale do Veado, Salgueiral. Devem ter existido ou existem ainda outras pequenas represas quer na Ribeira de Cavalos, quer no Ribeiro da Fontaínha. Foram represas construídas em épocas distantes, aproveitando engenhosamente os fios de água para irrigação. Terra de pastores, agricultores e canteiros ( embora esteja convencido que esta profissão apenas foi implementada aquando da construção do Solar dos Pimentéis ( Casa Grande ) e possivelmente por famílias vindas do Minho e da Galiza. Como agricultores plantamos vinhas nos Vales, Figueirinhas, Vinha da Cortinha e Minhoteira, amendoeiras e oliveiras por toda parte, e uma grande floresta de castanheiros numa zona de encosta voltada a norte que se estendia desde Vale de Porco , acompanhando a ribeira e terminando lá para os lados da Serrinha. Desbravamos a serra de Gajope, plantando trigo e centeio em todas as encostas. Participamos em todas as guerras sem nunca fugir. Desde os recontros das tribos primitivas contra os romanos, até às mais recentes, 1ª. e 2ª guerra mundial e guerra colonial, onde muitos dos nossos derramaram o seu sangue sem saber bem porquê. Fomos à Índia, Brasil, Guiné, Angola, Moçambique, Macau e possivelmente a Timor. Lutamos nestas províncias sem nunca desonrar o nome da terra. Pulamos fronteiras, construímos estradas e edifícios em França e na Alemanha, na Espanha e na maioria dos países europeus. Este é um pequeno retrato de Castelo Branco, a nossa aldeia (não cidade), concelho de Mogadouro, cercada de montes, perdida num pequeno vale do nordeste transmontano. Jota Érre