Estas palavras tentam ser uma singela homenagem a todas as mulheres da minha terra. Às mulheres da minha terra que cozeram fornadas de alvo pão,ou os tão apreciados folares tantas vezes calcorreando carreiros em busca de estevas e urzes para aquecer o forno. Às mulheres da minha terra que curaram linho na ribeira, que o maçaram, espadanaram, dobaram , fiaram e teceram, fabricando mantas e lençois que ainda hoje fazem parte do conteúdo das arcas e baús antigos. Às mulheres da minha terra que inventaram as colchas de renda, e bordaram lindas toalhas para estender às janelas em dias solenes de procissão, talvez tentando seduzir os santos. Às mulheres da minha terra que nos ensinaram as primeiras letras, que partiram em combóios sonolentos para outras paragens,espalhando as sementes do saber por outros ermos. Às mulheres da minha terra que choraram os filhos e maridos que partiram para a guerra.
Enfim: Às mulheres da minha terra que desde tempos remotos , labutaram, inventaram, contruiram ,ensinaram e choraram.
RJG