Esta lenda, como todas as lendas, é possível que tenha um fundo verídico, embora deturpada com a transmissão da informação ao longo de gerações. Ouvi-a da boca da minha avó, quando era pequenino e tentarei reproduzi-la o mais fielmente possível.
Quando da construção da igreja de Castelo Branco, foi decidido transferir o sino existente na Capela da Srª da Vila Velha para a nova Igreja. Tarefa difícil para a época, pois decerto o sino pesaria umas largas centenas de quilos.
Assim, numa bela manhã do dia 24 de Junho do ano ????, os rapazes mais fortes da aldeia, depois dum frugal mata-bicho, dirigem-se à Srª da Vila Velha tentando levar o sino para o novo destino. Iniciam o seu transporte, rebocado por frágeis cordas e apesar de toda a técnica utilizada e dos conselhos dos " mirones , "que já nessa época deveriam ajudar com doutas sentenças" , o sino começa a rolar e vem cair na ribeira, à curva da Retorta. Perante este contratempo, tratam de se munir de frágeis enxadas e pás e tentam retirar a sino. Quanto mais escavam, mais o sino se enterra nas areias húmidas da ribeira e apesar de todos os esforços não o conseguem retirar , ficando convictos que a vontade de Nª. Srª da Vila Velha seria, que continuasse no local.
Diz a lenda que o sino, apesar de enterrado na areia continua a tocar. As suas badaladas poderão ser ouvidas na manhã de S. João, apenas "por aqueles que não tenham pecados e estejam de coração puro."
É bem possível que este episódio seja verídico, pois tanto o rolar do sino pela encosta, como a impossibilidade de o retirar da areia acumulada com a construção do fecho da Retorta , são reais. Quanto a continuar a tocar nas manhãs de S. João, não tenho bem a certeza. Quando era miúdo experimentei, mas já devia ter alguns pecaditos pois não ouvi qualquer badalada. Aconselho no entanto a tentarem, pois será um belo passeio numa manhã de S. João, ao longo da encosta ou pelo velho caminho ladeando a ribeira.
Jota Érre